ALIMENTOS EM PERIGOElena

Em dezembro de 2015, a revista científica PLOS Patogens anunciava que um fungo muito agressivo chamado tropical race 4 (TR4) poderia apagar da face da Terra, uma das frutas mais populares e nutritivos que existem no mundo: a banana. O TR4 é uma potente mutação da temida doença do Panamá, também chamada favor do banana, causada pelo fungo Fusarium oxysporum, que ataca as raízes de algumas variedades desta planta. Concretamente, o ataque do TR4 vai direto para a variedade cavendish, a que pertencem 99% dos bananas que são vendidos nos países desenvolvidos. A prática da monocultura, ou o que é o mesmo, a falta de diversidade esta espécie de fruto, pode ter consequências desastrosas. Porque uma vez que o TR4 chega a um campo de bananas, a única opção que cabe é a erradicação de todas as plantas e começar de novo.

Em relação ao vinho, está perigosamente marcado pelo clima. Provavelmente em 2090 não haverá vinhos feitos com merlot ou cabernet-sauvignon, nem chardonnay ou syrah, pela mudança climática. “A vinha é uma planta perene, e é muito afetada pelo clima, já que não se pode semear a cada ano”, diz José García de Cortázar, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica da França. Nos últimos trinta anos, os vinhedos europeus foi detectado um avanço de duas semanas para a floração e de um mês para a colheita. Além disso, a composição da uva também mudou: “Na maioria dos vinhedos franceses tem havido um aumento do açúcar, que corresponde a quase um grau de álcool a cada dez anos. Uma vez perdido entre 0,5 e 1 g/l de acidez”, explica García de Cortázar. O problema é que apenas dez variedades cobrem 40% do vinhedo mundial e em alguns países, como Nova Zelândia e China, uma única ocupa mais de 80 % da superfície deste cultivo. Essas variedades não representam a biodiversidade da videira , nem “são as que melhor usam a água; são apenas as mais comercializadas”. Como não são testados uvas novas, o consumidor se acostuma a tomar apenas as que conhece. A solução passa por estudar variedades esquecidas para identificar alguma que possa adaptar-se às condições futuras.

Em geral, os alimentos que mais problemas vão acontecer no futuro são, por um lado, os produtos agrícolas muito localizados ou muito especializados, “pois terão menos capacidade de adaptação. É o caso do café, do cacau e do café, que possuem áreas de produção com condições climáticas muito específicas“, diz José Garcia de Cortázar. Mas também pinta mal a coisa para esses “culturas em que quase só se usa uma variedade, como a banana e o kiwi, ou poucas, caso da videira”. Se irrompe uma doença ou um clima extremo e repetitivo, será um desastre.

Os especialistas em biodiversidade e espécies vegetais ameaçadas trabalham para poder adaptar-se às condições futuras. “O principal é repensar a agricultura, sair da superespecialización da produção para voltar a uma diversificação que permita suportar as situações extremas, apesar de ser uma mudança de cara que pode levar muito tempo —aponta García de Cortázar, que pensa que tem razões para estar alarmados—. As emissões têm que diminuir em menos de dez anos, se não queremos chegar ao pior cenário possível. O CO2 que existe na atmosfera não é fruto apenas de nossas próprias emissões, mas as de nossos pais e avós. Uma molécula de CO2 permanece na atmosfera durante um século. O futuro das culturas depende do que fazemos e decidimos como a sociedade nos próximos anos. Se aplicarmos os objetivos da Conferência de Paris sobre a Mudança Climática, poderemos estabilizar a situação em 2050″.

 

10 alimentos em escassez!!!
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